I am, again on my own...
Passados alguns anos, talvez seja altura de contar uma história...
As histórias "caladas" são sempre as melhores, as mais sumarentas, e, sobretudo, trágicas.
Aos fins de semana esgueirava-me de casa para o meio do mato. Cada sobreiro tinha um nome, imaginava em cada um uma pessoa feliz por me ver. Imaginava a sua tristeza se eu não fosse porque não se podiam deslocar para me ver a mim.
Num velho caminho de gado que contornava já não me lembro o quê, nem sei bem onde ia acabar, existia um especial.
Saía de casa no verão, debaixo de calores infernais com o meu chapéu de palha, os calções e as sandálias de tirinhas. Levava a fisga, o pião, as tiras de papel, eternas companheiras da solidão das horas mortas e sufocantes. Olhava-a de longe e sentia-a sorrir para mim reconhecida. Algumas vezes leveva um regador de plástico para tomarmos chá. Aproximava-me e fazia-lhe uma vénia, era a velha rainha D.Leonor. Depois abraçava-a e ficava ali debaixo da sua sombra contando-lhe os segredos da semana: quantos índios tinha capturado, as caravanas no deserto, os ataques das tropas inimigas, como se tinham portado os meus cavalos em batalhas sangrentas contra os mouros. Corria de uma árvore para outra a cumprimentá-las todas. Todas eram minhas amigas. Pedia desculpas por perder menos tempo com elas e voltava para a realeza onde tinha o "chá" à espera. Com cerimónia, despejava a água à volta do seu tronco e desejava que estivesse perfeito para sua magestade.
Não era assim tão criança, mas as coisas da gente grande pouco me interessavam, já tinha desistido da humanidade. Falar com as pessoas era muito menos interessante do que estar com os pastos, os bichos e as árvores.
Cultivava este amor pela D.Leonor desde a primária. Nunca sonhei com bonecas, serviços de louça ou outras tralhas que as minhas amigas recebiam de presente. Nunca usei tranças (a minha mãe bem queria), mal saía de casa, desmachava o penteado e lá ia eu para o montado. Um dia peguei na tesoura e cortei os cabelos que pesavam nas costas. E durante muitos anos fui um rapaz. Mas a D.Leonor aceitava-me sempre fosse eu como fosse.
Há pouco tempo disseram-me que caiu, ou ardeu, ou simplesmente foi arrancada em nome do progresso. O meu velho coração partiu-se e chorou, só eu sei quanto.
Resta-me a palmeira que eu mesma plantei no meu quintal e fui vendo crescer com o passar do tempo. A Bolinhas. E ainda lhe chamo "minha" e ainda digo "o meu bairro", " a minha rua", "o meu quintal". Morreram as pessoas a quem pregava partidas, morreu o lugar, perdi muitas das memórias e tal como uma estúpida fiz as visitas de quem não conhece nada. Dei as voltas aos bairros "desenvolvidos", fui aos cafés, mas a estes lugares míticos não voltei. Tenho saudades e sonho com eles, mas vê-los mortos, ou desaparecidos não consigo.
Uma vénia hoje e sempre a si, D.Leonor. Obrigada por ter ouvido tanto sem nunca me julgar ou dar sermões. Você foi uma grande amiga.
Os dias não tinham rotina, embora fossem todos uma aventura incrível. A voz da mãe a chamar para o pequeno almoço que era engolido à pressa porque havia que dar corda à imaginação. Calçava as botas de borracha verdes, punha às costas uma mochila cor-de-laranja que me tinha dado o meu avô e voava pelos caminhos.
Nem ligava às pessoas que se metiam comigo pelo caminho. Formavamos um grupo de índios e cowboys saltando dentro das poças de água, lutando contra invasores e fazendo emboscadas aos inimigos.
Fui a Fada Morgana, Bruxa má, Índia e Cowboy no Poço das Sobreiras. Tudo se passava lá, no meu reino de Camelot, onde o bem vencia sempre o mal e fazia bonecos de lama que punha a secar nos braços mais altos dos sobreiros.
Subia por eles acima e falava com um especial, grande, velho que tinha ninhos. Não me importava de perder a escola se pudesse olhar para os ovinhos dos passarinhos... e nos buracos das suas cascas deixava bilhetes escritos com o que desejava, ou escondia-os debaixo de uma pedra disfarçadamente.
Neste grupo havia sempre alguém que não podia sujar o bibe e era sempre com ela que eu embirrava. Saia da porta ao lado da minha, tudo corria bem até chegarmos ao Poço das Sobreiras e aí, eram guerras infernais. Esborrachava as minhas laranjas no bibe dela, bezuntava-o com o Tulicreme do meu pão e ficava sem lanche, mas feliz! Deixava-a a chorar e corria para apanhar os moços, laçá-los do meu cavalo imaginário e nesse galope escorregava e caía, deslizava pela lama e nunca chegava de bibe limpo nem à escola nem a casa.
Aprendi a fazer fisgas, o meu avô deu-me uma valente: e era fisgada e pedrada que fervia naquele troço de caminho sagrado: escondidos atrás das árvores, desunhavamo-nos para fazer o maior número de baixas. A escola... um ralhete da professora e nem dava pelo tempo passar até chegar a hora de voltar ao meu reino mágico, onde era tudo o que desejasse.
Aos domingos voltava lá sozinha, atirava o pião que o meu avô me fez, mesmo em cima de uma pedra lisinha e direita. Da pedra passava para a minha mão com os dois dedos abertos aproximando-os devagarinho, sentindo o prego lixado roçar-me a pele. Como era bom estar ali sozinha com o meu sobreiro e o meu pião! E todos os segredos que contava ao sobreiro... em tirinhas de papel pardo.
Em breve hei-he voltar e agradecer a cada passo do caminho mágico da minha infância. E deixar lá um choro de criança magoada por nunca ter crescido.
O meu reino mitológico do Poço das Sobreiras foi o melhor da minha vida: os meus cavalos correndo pelas pradarias com coches e diligências, com malas-postas dos correios que tinha que entregar a horas e os ataques dos índios... de arco e flecha de cordas e ramos arranjados à faca.
Mas o meu herói nunca apareceu por ali para me salvar porque eu nunca fui a princesa...
Lá fora a chuva está suspensa...Dezembro do descontentamento.
A estupidez é uma forma de estar na vida que respeito. Menos em mim. Pode ser que mais tarde a chuva caia...
Joana... hoje seria o teu aniversário. Fui ver-te. Silêncio e sol. Um dia haveremos de conversar sobre tantas coisas. O bilhete está comprado. As saudades, o vazio... isso...
Suzanne takes you down to her place near the river You can hear the boats go by You can spend the night beside her And you know that she's half crazy But that's why you want to be there And she feeds you tea and oranges That come all the way from China And just when you mean to tell her That you have no love to give her Then she gets you on her wavelength And she lets the river answer That you've always been her lover And you want to travel with her And you want to travel blind And you know that she will trust you For you've touched her perfect body with your mind. And Jesus was a sailor When he walked upon the water And he spent a long time watching From his lonely wooden tower And when he knew for certain Only drowning men could see him He said "All men will be sailors then Until the sea shall free them" But he himself was broken Long before the sky would open Forsaken, almost human He sank beneath your wisdom like a stone And you want to travel with him And you want to travel blind And you think maybe you'll trust him For he's touched your perfect body with his mind. Now Suzanne takes your hand And she leads you to the river She is wearing rags and feathers From Salvation Army counters And the sun pours down like honey On our lady of the harbour And she shows you where to look Among the garbage and the flowers There are heroes in the seaweed There are children in the morning They are leaning out for love And they will lean that way forever While Suzanne holds the mirror And you want to travel with her And you want to travel blind And you know that you can trust her For she's touched your perfect body with her mind.
O eco da porta pela casa.
A simplicidade do azul. E a luz que entra calmamente.
O fumo do cigarro que sobe pelo ar até ao tecto.
Uma leve brisa ondeia a minha saia.
Enquanto o vidro da moldura reflecte a luz sobre os objectos.
O mar e tanta solidão.
A cinza que cai sobre a carpete verde.
.
Um amor que abriu a porta e nunca chegou a embarcar.
.
As unhas vermelhas nas pontas dos dedos sobre a testa repuxando o cabelo para a posteriridade.
Uma pequena onda bate de encontro à porta aberta.
H.M.
The center is dark.
The darkness breathes.
The listener hears. Hear me.
Unlock the gate, let the darkness shine.
Cover us with holy fear. Show me.
Corsheth and Gilail, the gate is closed.
Receive the dark, release the unworthy...
Take of mine energy and be sated!
Be sated, release the unworthy
E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza
E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus
Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra pedra
E isso inteiramente me bastava
E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava
E todo o dia vivi como uma cega
Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parde
E vi a dor absurda e desmedida
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra poética
Petite Marie, je parle de toi
Parce qu'avec ta petite voix,
Tes petites manies, tu as versé sur ma vie
Des milliers de roses
Petite furie, je me bas pour toi,
Pour que dans dix mille ans de �a
On se retrouve en l'abri, sous un ciel aussi joli
Que des milliers de roses
Je viens du ciel et les étoiles entre elles
Ne parlent que de toi
Et d'un musicien qui fait jouer ses mains
Sur un morceau de bois
De leur amour plus bleu que le ciel autour
Petite Marie, je t'attends transi
Sous une tuile de ton toit
Le vent de la nuit froide me renvoie la ballade
Que j'avais écrite pour toi
Petite furie, tu dis que la vie
C'est une bague à chaque doigt
Au soleil de Floride, moi mes poches sont vides
Et mes yeux pleurent de froid
Je viens du ciel et les étoiles entre elles
Ne parlent que de toi
Et d'un musicien qui fait jouer ses mains
Sur un morceau de bois
De leur amour plus bleu que le ciel autour
Dans la pénombre de ta rue
Petite Marie, m'entends-tu ?
Je n'attends plus que toi pour partir ...(bis)
Je viens du ciel et les étoiles entre elles
Ne parlent que de toi
Et d'un musicien qui fait jouer ses mains
Sur un morceau de bois
De leur amour plus bleu que le ciel autour
Demorava-se, em neblina, nos gestos mais interditos e recusava-se a ser surpreendida, mesmo que em assombro e mel, quando projectava a sombra negra na abóbada das estrelas. Havia um diálogo entre a linguagem das coisas e as mãos, que as tinha de encontro ao mundo. Um dia perdeu um berlinde azul. Procurou-o por tudo o que é rede, tecido e aventura: reuniu a esperança e desfez-se em indistinta esfinge. Mas o berlinde, louco que era, acontecera-lhe quebrar o riso na caixinha das surpresas e aí se germinou em memória.
Perdido o berlinde, soltou-se o fluir do tempo: quando este se lhe anular na lembrança, ausentam-se-lhe a voz e o espaço.
Um dia, voltará branca, incandescente:
- Como gostaria de permanecer na noite que te pressentes.
Sento-me aqui, a janela aberta sobre o Tejo. Há uma lua a pratear a água e as luzes do "outro lado".
A cidade não sossega, é um polvo de mil tentáculos que absorve as pessoas. Dia ou noite.
Para quem não descansa tudo é tão pouco.. tudo está tão longe, o tempo foge. É sempre tarde demais, chega-se sempre sempre tão atrasado.
Mãos no volante a romper a noite, deixa os cabelos voar. Transgride. Transgride. Há leis a mais e bom senso a menos.
Foi tudo tão pouco.
Molha os pés
Resta apenas o mar
As noites de maresia
O cheiro.
Enrolo-me sobre mim e escondo o riso
A porcaria do verso branco
Liso, liso, liso como esta areia que me ficou nos pés.
Pouco, pouco...
Cai uma tristeza nos fios de luar e eu quero deixar tudo, ir embora. Fugir para lugares de fábula ou de sonho, dormir e não sonhar. Nunca sonhar.
Sossega... amanhã.... há mais do mesmo. Sossega. Shhhhhhhhhhh It's all right.
The Fountain of Salmacis
Antes da tragédia grega, a Tragédia..
Salmacis, which lies on a headland on the western side of the harbor, was home to the Carians who lived here long before the Greeks came. They may have shared it with an even earlier people known to the Greeks as the Leleges.
The most important site in this district is the fountain of the nymph Salmacis, which is located at the base of the headland near to the harbor. As Ovid tells the tale, the waters of the fountain are cursed and will cause any man who bathes in them to leave half a man. Nearby is a temple dedicated to Hermes and Aphrodite.
As he rushed to quench his thirst,
A fountain spring appeared before him
And as his heated breath brushed through the cool mist,
A liquid voice called, "son of gods, drink from my spring!"
The water tasted strangely sweet.
He turned and saw her, in a cloak of mist alone
And as he gazed, her eyes were filled with the darkness of the lake.
| Salmacis | Narrator |
| We shall be one! | She wanted them as one |
| We shall be joined as one! | Yet he had no desire to be one |
Hermaphroditus: Away from me cold-blooded woman
Your thirst is not mine.
Salmacis: Nothing will cause us to part
Hear me, O gods!
Unearthly calm descended from the sky
And then their flesh and bones were strangely merged
Forever to be joined as one.
The creature crawled into the lake.
A fading voice was heard:
"And I beg, yes I beg that all who touch this spring
May share my fate...."
| Salmacis | Narrator |
| We are the one | The two are now made one, |
| We are the one | Demi-god and nymph are now made one |
Both had given everything they had.
A lover's dream had been fulfilled at last,
Forever still beneath the lake.
" As acções são as piores tragédias da vida. As palavras vêm logo a seguir. As palavras talvez sejam até sejam pior. Elas são impiedosas."
Porque é preciso acreditar e cantar um hino de Esperança a cada dia, aqui fica o meu, o antigo, in illo tempore:
"É verdade, sem falsidade, certa
E muito verdadeira,
Que o que está em cima é como o
O que está em baixo
E, o que está em baixo, é como o que
Está em cima,
A fim de que se perpetue o milagre da unidade
Na multiplicidade"
( a todos os fraters e sorors, a luz da fecundidade, hellas!)
Com carinho, com a alma gelada saimos. Vou de novo embora, mas não vou só. À beira dos abismos, caminhando na corda, ao sabor dos ventos, das marés, na espuma dos dias, na ressaca das noites quase em claro a estalar ainda na minha cabeça, tenho a certeza de que haverá um lugar para nós.
Carrego-te dentro de mim e dás-me força, começa a surgir uma certa paz que não tive nunca, assaltada de tantos fantasmas, de tantas alegorias da luz e das sombras.
Somos dois: a consciência disso deixa-me perante uma felicidade que dá os primeiros passos. Vou... tu também vens. Estou... tu também estás. Sou... tu também és. Numa bolha pequena, quentinha, muito frágil, caminho dentro de mim, rolo na estrada.
Paz... silêncio... eu sei, no fundo eu sei que o mundo tem um lugar para nós e mesmo perante a destruição provavel, nós um dia existimos, estivemos aqui.
Levo-te na minha bolha, ajuda-me a cuidar de mim, de ti.
É tarde, tenho que ir. Sorrio... vamos sossegar... vamos descansar...
Solomon ibn Gabirol, also known as Avicebron, was a Spanish-Jewish poet and philosopher of the eleventh century. This is a translation of a key extract from his major philosophical work, the Fons Vitae, or Fountain of Life. In this text, Gabirol uses a Socratic dialog as a framework to discuss his theory of the 'First Cause.' Written in Arabic, the Fons was translated into Latin in the 12th century, The work was attributed to 'Avicebron,' who was not identified as Jewish but as Christian or possibly Muslim. One reason is that Gabirol does not reference the Tanakh or Talmud, as would be normal for a Jewish intellectual from this time and place. In addition, his neo-Platonic views seem to place him in a more Christian intellectual current. However, in 1846, a scholar named Solomon Munk announced that he had discovered that Avicebron was the same person as Gabirol.
Oi...acordei por volta das 3 e 15 da manhã... sim, era isso... olhei para o relógio da mesinha de cabeceira e marcava 3 e 15... é um relógio daqueles de ponteiros luminosos... Olhei para o tecto sem saber porque razão acordara, mas lembro-me que talvez tenha ouvido a porta de um carro, lá fora, a bater ao fechar-se... olhei de seguida para os buraquinhos das frinchas da persiana da janela e divisei a luz da noite... a rua tem candeeiros e vê-se essa luz ainda que difusa... Senti o corpo morno e passei a minha mão pelos meus seios acariciando os bicos do peito... Deixei a minha mão descer pela barriga até sentir o meu sexo e desejei ter-te ali comigo... Deixei-me estar assim durante uns momentos e lembrei-me de ti... lembrei-me de todos os momentos que te tive e que a meu lado te senti... Sabes, quando me abraçavas e me sentia pequenina, dessa forma mágica que tens de me abraçar... quando me beijavas e me sentia desfalecer ao sentir a humidade dos teus lábios... sabes, não sabes?... Sei que sim...
Acordei sem saber por razão acordava mas penso que a saudade marca o sonho e, se calhar, estaria a sonhar contigo... Lembras-te como nos rimos às gargalhadas?... Acordei às 3 e 15 e já são 3 e 40!... 25 Minutos a pensar nisto... sinto-te em mim, meu amor e não estás aqui presente... mas sinto-te... sei que sou eu que me acaricio mas é como se fosses tu... sinto como se fossem as tuas mãos, o teu corpo quente, assim... eu sei que sim... eu sentia que tu gostavas de mim assim... tu também eras louco, sabias?... Sim, a tua loucura me incendiava e quando nos rebolávamos na cama parecia que tudo se partia ...como nós nos riamos disso... coisas giras e loucas, não eram?... Meu bem, como me lembro de ti assim?... Porque acordei eu a pensar em ti?... Porque é que ainda penso em ti ou porque é que estou sempre a pensar em ti?... Sabes que não há um único momento da minha vida que não pense em ti?... Eu sei, eu sei que dizem que estou louca... mas eles não sabem que já não estou louca, já estive, sim já estive louca por ti... agora já não estou... estou feliz, triste mas feliz e tu sabes porquê, não sabes?... Sabes, eu sei que sabes... Já são 4 da manhã. Acho que vou dormir um pouco... Penso que vou sonhar contigo e depois... depois voltar a acordar para pensar mais uma vez nos nossos dias, nos dias que nunca passamos juntos, naqueles dias em que a loucura era permitida e nada mais interessava... até ao dia em que te foste... Nunca soube porquê, porque me deixaste, porque não me quiseste mais... porquê?... O sono está a regressar... sabes, deram-me mais uma injecção e vou ter de dormir, sim?... Eu vou dormir mais um pouco... mais um pouco... mais um pouco... como ainda te amo... sim, sou sempre a Maria... para sempre... para ....
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.
S.M.B.A.
Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
— Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
— Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.
Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.
Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!
— Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.
[Almeida Garrett in As Minhas Asas ]
Apetece-me partir. Partir como quem parte sem saber para onde e porque, partir como quem desenraíza cruelmente um ser da terra; partir apenas na esperança de não voltar aqui; de não voltar a ver tudo aquilo que já vi, na esperança de não esperar nada do que seja ou do que for. São os braços do exterior que me assediam. Não se trata apenas de uma partida ou de uma nova chegada, trata-se de um virar de costas irreversível, de uma porta que se fechou para possivelmente nunca mais se abrir; essa porta é a esperança. Agora percebo que talvez tenha ido longe demais; agora percebo onde me levou a minha teimosia. Como posso agora voltar atras? Como irei suportar esta aflição até ao resto dos meus dias? Não posso ser um Caeiro eternamente. A distracção são apenas flashs que acasalam entre si, ícones momentâneos e arbitrários. No entanto não me junto a eles, quero viver nessa praia sem sentido, nessa terra de ninguém. O que eu realmente quero não é partir, é ficar aqui eternamente, é tudo menos partir, as fugas implicam medo, não tenho medo, as partidas implicam um "para onde", "um porquê", "um como", o que quero é não querer nada disto; é não chegar a lado nenhum, é ter a graça de não ter uma direcção. Quero apodrecer na náusea deste absurdo, nas eternas labaredas desta esfera que me ultrapassa. Quem sou eu para por em causa o universo? E quem me garante que tudo levado ao absoluto limite, não se orienta para um fim sem finalidade?
Estou farta de não compreender nada...
Certo livro de Jaspers despenca da estante fria,
acerta o ventre do meu corpo ao chão morno...
Há chamas em minhas mucosas; nos seios, fogo.
Incendeiam-me as inspirações transcendentais
Salvem, atirem as concepções do mundo à pia!
Traga-me, bombeiro, o além do mito/ideologia;
Apague toda dor, agonia e mea culpa depois...
Atire água na morte, o avesso atalho da fantasia.
Faça-me prenha com uma genital Philosophie,
transparentemente. À luz: Karlquer um, nós Dois.
É tarde. Está frio. Constatações. Depois, tudo o resto que não consigo controlar. Uma vida que insiste em viver-me. Os dias que se transformam alterando todo o meu precário equilíbrio, pequenos acontecimentos que me fazem rir, chorar, ou ficar na expectativa.
Já não almejo uma sabedoria redentora, catalizadora de um poder imaginário.
O meu riso morre perante o incompreensível. Desloco-me. Quer vá, quer venha, nada me tira da cabeça que tudo isto é um plano sublimemente orquestrado e no entanto, movo-me. Sei que estou sempre do outro lado. Há tempos ainda tentava compreender quem seria o maquinista desta máquina do mundo, agora estou-me nas tintas: a máquina move-se nos seus insondáveis desígnios e saber isso já me basta. Matei todos os “porquês”. Sei que os fundamentos não me são acessíveis, as razões me escapam, não desejo explicações. Sair para a rua e viver. Fechar-me em casa e viver. Sair, fechar-me e morrer, tudo a mesma moeda, sem troco, certinha nesta portagem.
Não escrevo para que me leiam. Decidi escrever para arrumar ideias. Depois de cada acto cai o pano, desmaquilham-se os actantes (muito me ri eu desta designação narratológica!), voltamos à vidinha corriqueira. Os panos sucedem-se sem sequer darmos por isso: um dia acordamos ou deitamos muito cansados, foi apenas mais um acto que terminamos. Respiramos, saímos, fechamo-nos.
Amanhã... é algo que nunca existe.
Há dias em que nos parece ter morrido alguém. Em que os sentidos das coisas se confundem, em que não aceitamos que somos apenas humanos e que o mundo nos ultrapassa.
Sento-me no frio da janela aberta sobre a cidade, desejando que a brisa gelada da noite me confira alguma objectividade aos pensamentos em desordem, uma borboleta esvoaça na minha face e tento afastá-la. Ela insiste, volta e fala-me do sol, da combustão dentro de mim. Há noites assim, em que nada nos fala, nem o cansaço. No entanto, sobra um luto escuro das horas e memórias. Lembramo-nos de tudo o que desejamos esquecer até esquecermos que tínhamos esquecido para voltar a lembrar que é preciso esquecer.
Sim, noites destas em que a solidão deixa um sulco de vidro nas nossas mãos, na nossa vida.
Sentimos que em tudo chegamos atrasados e nesta gare todos os comboios já partiram. Ficamos apenas esquecidos e com frio.
A borboleta pousou na minha cara. Deixo-a ficar, que me fale do sol…
Cheguei hoje a casa com a urgência de sempre: ficar só, ouvir o resfolegar do mundo atrás dos vidros, não lhe cheirar o hálito fétido, não o tocar, colocar uma barreira entre mim e o exterior. Cansada, meio cega, meio surda. Alguém normal teria escolhido uma bela peça musical, uma sinfonia, blues ou jazz. Não o fiz. Fiquei a olhar para a capa de um “demo” esquecido…Nome do grupo: “Enterrados na Merda Mas Vivos” e sorri.
Fechei-me no meu quarto, no meu mundo a preto e branco com um espelho no quarto, senti-me um fantasma sem reflexo, sem imagem, com música sem som. Sentei-me e vi-te morrer no espelho à minha frente, a sorrir.
Foi como se de repente alguém me tivesse posto na rua! E na rua está muito frio…
Não existe nada mais frágil do que uma mulher só… a mecânica dos rituais diários, o único prato, o único copo, a cama para uma só.
Todos os dias novas cinzas a varrer debaixo do tapete. As noites… as noites são o sono condenado a passear o cão e a olhar para o telefone que fica apagado.
Outras vezes, voamos cegas para a luz que nos queima as asas e morremos de tanto braseiro. É Novembro, sexta feira dia…alguém morreu e eu ainda não sei quem foi.
Não existe nada mais frágil, gentil, carente, triste, patético e ridículo do que uma mulher só. Sem filhos...
Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
Quer pouco; terás tudo
Quer nada; serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.
F.P
Amor...
"Esta vontade de não ver ninguém, de não falar com ninguém, de fechar as portas e fugir de tudo!
Esta vontade de ser apenas olhos e ver... só ver como a vida escorre pelas ampulhetas alheias. Esta vontade de não estar, de não ser, de partir permanentemente, de ir, ir sempre e nunca voltar!
Esta vontade de ser apenas ouvidos e ouvir o que não querem dizer, ouvir os sons de que é feita a vida e não sentir mais do que afecto e solidariedade. Esta vontade de me eximir, de desistir, cortar fios que não me prendem e ir...
Esta vontade sou eu. E vivo assim: aproximando-me dos outos dentro de mim, nunca estando, nunca julgando, esta existência sou eu,
Que nunca precisei de justificação. Fecho a porta. Ausência de falta de mim. Prenunciado Fim."
"Querido, senti muito a morte do teu Picasso. Esse Picasso era parte de mim...eu sei que a dor embeleza e imagino-te lindíssimo neste momento, derramando lágrimas e flores sobre o féretro, e abrindo os céus com a chave da tua aflição e com os teus úivos desesperados. Derrotado, destruído, só! Caí na asneira de de recordar os tempos felizes e voltei às nossas primeiras férias, tu, ele e eu em Sintra. Um Picasso com roupão de seda e óculos de sol, japonês. Era um azulejo magnífico, só lhe faltava falar. Ele uniu-nos no prazer dos corpos e agora une-nos na dor das almas. E que vais fazer agora? A dor sempre te provocou pânico. Por isso o levaste e me deixaste a mim. Por isso e porque gostavas muito mais dele do que de mim. Ao fim e ao cabo nunca te foi infiel: só te enganava consigo mesmo, como eu. Não fui ao funeral porque ando metida com advogados. O meu Dali quer o divórcio. Os homens sempre me abandonaram. Depois te conto. "
Fartei-me de tudo!
Estou muito cansada...vou dormir.
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos próprios problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um recôndito na sua alma. É agradecer a Deus cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um”não”, é ter segurança para receber uma crítica mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo-as todas, vou construindo um castelo…
Fernando Pessoa
Engraçado como é que um gajo pode ter estas convicções todas e suicidar-se....
quero ser o mar
quero ser a lua
quero ser grande
maior do que sou.
sinto por vezes
força do vento, do mar, da alma
sinto tudo em mim,
por mim, para os outros
neste trilho que não conheço
neste que não espanta,
onde vou ? onde vamos ? onde vou ?
sei que vou com alguém
hoje triste, hoje muito triste
hoje não quero ninguém
nem nada, nem a vida
hoje sinto raiva de mim
quero estar só
mereço estar só
e ainda assim
tento estar feliz.
Corre o tempo, corre a vida na cidade, correm os dias e as noites. Todos os dias me lembro de ti e do tanto que me ensinaste, dos teus cabelo louros ondulados, foste a minha única família de verdade.
Tudo corre menos a âncora que me prende a ti, por mais ventos e marés que venham, o monte está lá, guardado por esses lobos do passado que ainda me ladram aos calcanhares, tia!
Tantas vezes preciso de ti nos meus dias... na minha vida. Ficou a casa, não sei o que lhe fazer...vai acabar por cair, não sei o que fazer.
Neste momento preparo-me para abandonar tudo. Não existem projectos perfeitos e este meu não foi sequer razoavel... "eles" vencem sempre não é? Apontaste-me como "a que seria diferente de todas". Nao sou.. E sou. Corria pelas Quatro Fontes, fazia-te companhia, nunca ninguém me viu, eu era uma "coisa" um apêndice que precisavas. Hoje continua assim, ninguém me vê, tia... vêem o meu estatuto, o que posso fazer, até onde chego, mas o ser humano que carrego... são cegos, Tão cegos... e tu morreste! Vem buscar-me de novo para sair contigo, eu não conto nada à avó, nunca contei. Já passaram tantos anos. Vou parar com tudo e esperar por ti. cedo ou tarde hás-de vir, Joana...
O Homem é o Lobo do Homem...
Estou cansada, Joana. Estou farta de lutar contra moinhos de vento, estou farta de ser uma escada por onde se sobe... e estou muito magoada contigo...
É sempre tarde. Como o coelho da Alice nos País das Maravilhas ( é ou não é?), chego sempre tarde a tudo e até já nem uso relógio... para quê?
A vida é um jogo de espelhos, um atrás de outro, atrás de outro, atrás de outro...onde nada acaba por se reflectir a não ser distorções. Como conhecer o Outro sem a mim consigo reconhecer no espelho?
Se fossem mesmo só essas duas faces de que tanto se fala, porém são tantas, somos multifacetados e quanto mais rolamos na areia da espuma dos dias mais polidos e enganosos ficamos.
A respeitabilidade da idade tantas vezes é uma farsa. A velhice comporta sacanice nalguns casos, senilidade noutros, rebujice....e em poucos e bons, sabedoria. Deus me livre de chegar desprevenida à Idade da Razão! É que não chego lá de maneira nenhuma, ahahahaha!
Agora nós.... quantos somos nós? Quando virarás os espelhos ao contrário e me mostras o que me assusta de novo?
Só vou ver uma vez...só uma vez...depois corro para os campos onde encontro o Outro... simplesmente corro livre.
(nada disto faz sentido nenhum e acho que vou tomar os comprimidos, ou já terei tomado?)
Já aqui estou há alguns anos... quatro anos é tempo demais, é tempo de mudar, de partir...
Quando venho cansada das agressões da cidade, do tempo, das pessoas, escondo-me aqui como se fosse um palácio secreto.
Os livros e papéis espalhados de modo aleatório, a falta de organização, o aparente desleixo, são apenas fruto da minha pressa. Sim,porque tenho que viver à pressa, há pouco tempo, há sempre tão pouco tempo...
Tenho as paredes amarelas do fumo dos meus cigarros solitários, tudo aqui cheira a tabaco. Tal como a Coca-Cola, estranha-se depois entranha-se.
às vezes sento-me na janela a ver a vida lá em baixo: o mundo sempre rolou como se eu nem existisse, o rio sempre correu e vai continuar a correr.
Aqui a mesma calma de anos de leitura, escrita, estudo, horas perdidas a desesperar esta existência de papel.
O mundo aparece a preto, branco e cinzento... se o vento abana os cortinados, cheira inevitavelmente a tabaco, está nos móveis...poucos, nas roupas, em mim, em todos os locais destes poucos metros quadrados.
Muito deste amarelo saiu de dentro de mim, fez, faz parte de mim, fui eu. Por enquanto sou eu.
E não me venha com merdas fudamentalistas cheias de moda e contexto: deixem-me ser enquanto posso ou deixem-me de vez! Não venham como a avózinha moralizar-me a vida, não me amargurem os dias. Deixem-se de caça às bruxas. Solitária e "silenciosa" como disse o "comentador", sou eu. Take it ou leave it!
Estou farta de laudas, não tenho idade para merdas destas, não me gostem pela metade, ou por aquilo que podem tirar de mim. Desapareçam. Apague-se a merda do mundo no meu borrão, há sempre mais quem faça fumo pelo mundo!
Sou sempre fui e hei-de ser SOZINHA.
P.S. Casa....adoro-te!
Entre o marulhar das palavras
Entre a escuridão das insónias
A transparência
das palavras invisíveis
Entre as palavras
sopra-me
O silêncio do vento
Entre o marulhar das folhas
soa-me
___eco próximo distante___
O grito
de não ser plenamente
E O MAR DE ONDE VEM?
Dobra-se e desdobra-se o mar
Dobra-se e desdobra-se o fumo do meu cigarro
O fumo vem do cigarro
e vem de mim
O mar vem das ondas....
o mar de onde vem?
Cheguei hoje a casa com a urgência de sempre: ficar só, ouvir o resfolegar do mundo atrás dos vidros, não lhe cheirar o hálito fétido, não o tocar, colocar uma barreira entre mim e o exterior. Cansada, meio cega, meio surda. Alguém normal teria escolhido uma bela peça musical, uma sinfonia, blues ou jazz. Não o fiz. Fiquei a olhar para a capa de um “demo” esquecido…Nome do grupo: “Enterrados na Merda Mas Vivos” e sorri.
Fechei-me no meu quarto, no meu mundo a preto e branco com um espelho no quarto, senti-me um fantasma sem reflexo, sem imagem, com música sem som. Sentei-me e vi-te morrer no espelho à minha frente, a sorrir.
Foi como se de repente alguém me tivesse posto na rua! E na rua está muito frio…
AMO -TE
Não apenas pelo que és,
mas pelo que sou
quando estou ao teu lado ...
não pelo que fazes de ti
mas pelo que estás fazendo de mim ...
pelo que consegues despertar em mim ...
porque transformaste os meus esforços diários
não numa lamentação
mas numa canção ...
Amo-te,
porque fizeste muito mais
do que jamais pensei que qualquer pessoa fosse capaz
para revelar o que há de bom em mim.
Amigos que não falam mas entendem
"Certo livro de Jaspers despenca da estante fria,
acerta o ventre do meu corpo ao chão morno...
Há chamas em minhas mucosas; nos seios, fogo.
Incendeiam-me as inspirações transcendentais
Salvem, atirem as concepções do mundo à pia!
Traga-me, bombeiro, o além do mito/ideologia;
Apague toda dor, agonia e mea culpa depois...
Atire água na morte, o avesso atalho da fantasia.
Faça-me prenha com uma genital Philosophie,
transparentemente. À luz: Karlquer um, nós Dois."
R.C.
A vida se contrai, e a morte é esperada,
como na época do outono.
o soldado tomba.
Ele não se torna um personagem de três dias,
impondo a sua separação,
clamando por pompa.
A morte é absoluta e sem recordação,
como na época do outono,
quando o vento pára,
quando o vento pára e, lá no céu,
as nuvens seguem, no entanto,
o caminho delas.
Primeiro o mundo esvai-se em fumo cinza e deixa tudo escuro. Depois procuro as paredes do quarto para delimitar a minha posição na cama. Aflita, tento chegar o mais longe possível, não há limites, apenas vazio, um escuro em vão na palma da minha mão. Sei que se aproxima o pânico de mansinho, o mundo cada vez mais longe: recorro à ironia e rio-me de mim mesma, da ânsia das minhas mãos que nada tacteiam, nada atingem, ficando a balançar como dois corpos enforcados. Depois dói, começa a doer dentro da alma e por alma digo cabeça, uma simples dor de cabeça. Não há tempo, é uma abstracção que só organiza a vida dos outros. Recorro ao olfacto porque no escuro não vejo, com a luz não durmo. Misturam-se odores assumindo a forma de ogres crescendo e fecho as narinas.
Deixo de me esticar à procura de uma saída, o esforço é demasiado, é inútil. Noção de frio, brisa, arrefecimento crescente. Com o frio vem mais dor. Encolho-me. Memória: perguntas como nuvens, passam, vão, voltam. Não trazem livro de respostas. O Mundo é Pequeno. Lodge, Shelly, Sylvia… a memória elefantizada que nada esclarece. Mas sim, algumas datas são carimbos de certidões de óbito, outras…saem-me pelo nariz arranhando a mucosa.
Estou fechada dentro de uma caixa que não tem fim, amarfanhada, como um carro desfeito.
Tarantino, depois eu escrevo o resto do guião, prometo!
"Já nada resta de mim
No plátano onde inscrevi a escultura das minhas letras.
Algumas chuvas depois
Toda a tinta se escorreu pelo tronco, branco,
E foi depositada no interior da terra negra
Onde as raízes bebem
E esperam nova tinta,
Que se tornará memória.
Trágico esquecimento. Passado."
(obrigada Amigo)
Como um navio meio afundado, vou largando lastro,
desejo conseguir navegar.
Não preciso ver terra, basta-me o mar.
I am: yet what I am none cares or knows,
My friends forsake me like a memory lost;
I am the self-consumer of my woes,
They rise and vanish in oblivious host,
Like shades in love and death's oblivion lost;
And yet I am, and live - like vapors tossed
Into the nothingness of scorn and noise,
Into the living sea of waking dreams,
Where there is neither sense of life nor joys,
But the vast shipwreck of my life's esteems;
Even the dearest, that I loved the best,
Are strange - nay, rather stranger than the rest.
I long for scenes where man has never trod;
A place where woman never smiled or wept;
There to abide with my creator, God,
And sleep as I in childhood sweetly slept:
Untroubling, and untroubled where I lie,
The grass below - above the vaulted sky.
J.C.
Na areia, começam a chegar
as sombras da noite
Deito-me sobre elas
A noite cai. Surge a primeira estrela.
Em silêncio profundo...
O ponto no horizonte apaga
Não se vêem ondas,
anoiteceu
Neste mar de estrelas sou...
nem um grão de areia...
Tão bem guardado, secreto
e tão profundamente infinito
faz o mar parecer pequeno
Sou…nem uma gota de água.
J.Campos
Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar...
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar...
- Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar!
Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus!
O amor dum homem? - Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? - Quando eu sonho o amor de um Deus!...
F.E. (a repetição homenageia a genialidade)
sei que estou cansado e já não quero
falar mais contigo até de manhã
deixa-me dormir
dá-me umas horas
que depois eu ligo
e falamos depois
queres ficar aqui
espera que eu acorde
com pena de ti
dá-me tempo
dá-me espaço
deixa-me ter um momento de cansaço
e é bem melhor assim
(...) PG
Sento-me aqui, a janela aberta sobre o Tejo. Há uma lua a pratear a água e as luzes do "outro lado".
A cidade não sossega, é um polvo de mil tentáculos que absorve as pessoas. Dia ou noite.
Para quem não descansa tudo é tão pouco.. tudo está tão longe, o tempo foge. É sempre tarde demais, chega-se sempre sempre tão atrasado.
Mãos no volante a romper a noite, deixa os cabelos voar. Transgride. Transgride. Há leis a mais e bom senso a menos.
Foi tudo tão pouco.
Molha os pés
Resta apenas o mar
As noites de maresia
O cheiro.
Enrolo-me sobre mim e escondo o riso
A porcaria do verso branco
Liso, liso, liso como esta areia que me ficou nos pés.
Pouco, pouco...
Cai uma tristeza nos fios de luar e eu quero deixar tudo, ir embora. Fugir para lugares de fábula ou de sonho, dormir e não sonhar. Nunca sonhar.
Sossega... amanhã.... há mais do mesmo. Sossega. Shhhhhhhhhhh It's all right.
Hoje apetece-me falar de assuntos mais prosaicos, contudo não menos pertinentes.
Já quase toda a gente disse o que havia de dizer sobre o assunto, sob todos os prismas: os pais rezam, vão a Fátima, ao Vaticano e a criança, pobre dela, não aparece.
De todo o lado surgem os apoios dos mais variados tipos, mobilizam-se todos os meios… fica-me um amargo de boca quando vejo esta parafrenália de show off em que todos dão a sua dica e ninguém se entende.
Por mim, pergunto o que terá sido feito do Rui Pedro, da Joana, de tantos outros que nem sabemos o nome, se a Casa Pia alguma vez existiu… Que apoios houve? O que fizeram? Quem gastou o dinheiro em investigações?
Não sou mãe, mas raios me partam se tivesse uma que me deixasse sozinha nas férias todos os dias para ir jantar à vontade.
Raios me partam se tivesse uns pais que me deixassem no Kids Space do Fórum Almada um dia inteiro para irem descansados à praia e só voltassem à hora do fecho! Mas com estes, pelo menos alguém ficaria a tomar conta de mim…
Bem podem rezar e peregrinar… bem podem deambular pelos meandros de Portugal e do Allgarve, maldizendo a polícia portuguesa!
Quem começou esta história foram eles e esperemos que não sejam eles quem está no seu final…
Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Nada me diz
Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor
Remar remar
Foçar a corrente
Ó mar, ó mar
Que mata a gente
XP
Uma voz familiar atrás do tempo chamou-me...
Acordei com frio, e a alma amarrotada. O Tempo é uma casa em decadência, portas e janelas abertas, uma via comunicação distorcida e perversa. Impossível resgatar emoções racionalizadas à posteriori, impossível transpor portas e janelas que nada fecham, nada guardam, nada conservam a não ser a forma.
Definimo-nos por oposição aos outros: forma, estado, ser... até voltar ao nada que nos iniciou.
Hoje acordei com frio e saudades, conta-me o princípio de novo:
"No início eram as trevas e o caos, depois Gheia a Terra, dançou nua sobre as águas, Chronos, o Tempo apaixonou-se...
Hoje não estou: fui procurar outros tempos.
Acreditava, eu, como toda a gente, que estar desesperada era uma doença da alma. Estava enganada: o corpo é que sofre. Tenho a cabeça vazia e o coração sobressaltado. Mas o mais terrível é este gosto na boca. Como é duro uma pessoa tornar-se gente!
Não sei onde pousar a cabeça. De que me serve a firmeza nas mãos, para que me serve esse poder tão espantoso, se não posso alterar a ordem das coisas, se não posso fazer com que o sol se ponha a Oriente, e com que decresça o sofrimento, se não posso impedir os seres de morrerem? Não podendo agir sobre a ordem do mundo, é indiferente que durma ou continue acordada... Tomo de assalto um reino onde impera o impossível. Talvez me consiga mudar a mim própria, e , com esta mudança, todo o mundo se transforme, os homens deixem de morrer e todos sejam felizes. Mas preciso de gente, espectadores, culpados! O que é insuportável é ver dissipar-se o sentido desta vida, ver desaparecer a nossa razão de existir. Não se pode viver sem razão. Torna-se preciso ferir quando não é possível refutar. Firo-me. Nada de novo: desejo apenas reencontrar a paz num mundo de novo coerente.
| O sono que desce sobre mim, O sono mental que desce fisicamente sobre mim, O sono universal que desce individualmente sobre mim — Esse sono Parecerá aos outros o sono de dormir, O sono da vontade de dormir, O sono de ser sono. Mas é mais, mais de dentro, mais de cima: |
Hold me close
I'm falling
Don't let go
Help is what I'm calling.
Can't lose faith
Be strong, No failing
The hugs I wouldn't trade
They send me sailing.
Difficult to dream
The mind so smothered
I know you feel it
Your words could never clutter
A splendor to experience
One soul exposed and uncovered
One heart so truly unique
One life touched, entirely by another.
Bem, hoje é um dos tais dias em que uma pessoa chateia a cabeça à humanidade e leva secas mortais em nome do progresso e do futuro!
E os minutos não passam... continuo firme no meu projecto de vida: dormir! Dormir muito e ouvir a chuva!
Ouço as conversas à minha volta, parece toda gente muito ocupada... esta cena de andar tudo muito ocupado só pode ser treta! E daí talvez não... alguém tem que trabalhar neste mundo (vou apontar isto para pensar mais tarde).
Ainda vou falhar a sala da reunião... só sabemos reunir, reunir e ter conversas perfeitamente alucinadas: pura perda (sim, porque "perca" é um peixe!!) de tempo, ah pois é...
Saco da minha personalidade esquisofrénica, escolho a nuance que melhor se adapta à ocasião e lá vou eu: Presente! Estou aqui mas não me façam muitas perguntas senão rebento! Vou pôr um ar ameaçador....![]()
Lá fora a chuva cai....
Nova semana à porta. Sem vontade...não apetece fazer nada a não ser dormir, fechar tudo, fingir que é noite e dormir.
Sento-me aqui com o som da Janis, a voz dela cheira-me ao mar que canta, ao verão. Gosto destas canções de embalar, desta voz áspera e tão suave, gosto de estar aqui e fazer desaparecer todo o resto do mundo.
E a verdade é que o posso fazer mesmo! Boa semana para mim e para... toda a gente!![]()
E pronto, a data chegou...a data está a ir, por mais um ano.
No próximo tudo será diferente, promete-se: estamos cristalizados nas comemorações, há que contar com os jovens. Claro, num país onde a maioria da população está envelhecida e os jovens, esses, alienados pela falta de empregos, condições de vida, pela ignorância. Sim, há que incluir toda a gente nas comemorações. Falta saber como.
Entretanto vamos cumprindo este doloroso dever que é recordar um sonho conquistado e cada vez mais perdido, como quem vai no 1º de Dezembro homenagear os seus mortos.... só que neste caso, os mortos somos nós. Fantasmas de cravo na mão.
Talvez deixe de ser feriado, ou lhe mudem a data... os fantasmas ficam assombrando a memória.
Aproxima-se de novo aquela data que nos embaraça tanto. Cada vez mais... olhando para trás, revisitando documentos, fica a dúvida, a estupefacção: como fomos capazes de ter feito aquilo? Terá sido um punhado de pessoas excepcionais, num tempo excepcional?
Não reconheço ali os Portugueses, não nos identifico. No povo que grita por ouvir gritar sim, mas nos que actuaram não.
Isto terá mesmo acontecido?
O Maia era alentejano e por isso acredito... fico emocionada e triste com "o estado a que isto chegou".
E como diz o lírico: "saímos à rua de cravo na mão a horas certas"...
UNI.... vos
Porque as montanhas começam a parir ratos!
Há que reconhecer que:
VIVER é diferente de TER
Nunca disse aqui algo realmente sério ou pessoal (salvo as excepções) mas hoje atrevo-me a pensar com profundidade e estou realmente preocupada:
Com este árbitro no jogo entre Porto e Académica, só um milagre para ...lá está! Golo do Porto!
Desisto... isto é mas é já Apito de Platina!
Lixem-se!
(vou jogar playstation que ali ganha quem eu quiser, prontos!)
This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land
Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end
(the Doors)
Não existe nada mais inteligente do que uma morena que se finge burra! Ahhh como é bom fingir que não se vê, não se sabe, não se nota, não se tem conhecimento... custa um bocado ao princípio, mas depois! Cai-nos no colo tudo o que nos desejam esconder, tudo o que não foi dito... atingimos um estatuto perfeito - o da burrice e assim ninguém se incomoda em disfarçar nada, "a gaja é burra, mesmo". Como é delicioso brincar com a presunção dos outros!
Adoro ser burra!
Não existe nada mais terrível do que uma morena inocente! Não existe erro maior do que o do " a mim ninguém me engana!" Enganem-me que eu gosto... depois caiam-me no colo. É o Espírito Pascoal de uma Burra! Boa Páscoa aos milhares de leitores que tenho!
P.S. E estou-me nas tintas para as "tags", ah claro!
Não há que enganar... não se podem apagar 48 anos de História!
Devido ao facto de não ligar nadinha à programação televisiva, só ontem fiquei a saber que existia um tal "concurso" ou votação, ou...para se eleger o maior português de sempre. Isto é, tinha ouvido falar, mas sempre pensei que fosse uma brincadeira... não seríamos assim tão estúpidos homessa! Mas eis que sim: foi mesmo eleito o Presidente do Conselho, António Oliveira Salazar. Não que me lembre lá muito bem dele...mas já dizia o meu pai que tinha sido um gajo muito mau, que tinha havido uma ditadura, que era par de pessoas como Mussolini, Franco, Hitler...
Ora andamos aqui todos aos berros pela democracia, igualdade de direitos e oportunidades... digamos que estou desconcertada!
Quando se fala em memória de elefante, assumo desde já que se trata de uma metáfora.
Que critérios terão sido usados? Como é que isto aconteceu? Estamos assim tão cegos pelo desespêro e pela miséria? Fomos enrolados, ou somos mesmo estúpidos por defeito genético?
Bem... nada disso interessa, até porque o homem ja morreu! Mas devia voltar um igual, digo, trinta vezes "maior", aí sim, tudo isto iria entrar nos eixos! Entretanto, como vou viajar prolongadamente, havia de ver de longe, como todos os outros exilados, sem os desconfortos da tortura, da prisão, da guerra colonial... Pronto. Tenho que reconhecer que o meu pai, o meu avô, e todos os venerandos da minha família são uns mentirosos! Raios os partam! Se não fosse a televisão, tinha engolido este monte de m... e nunca seria "ilustrada"!
(mas cá entre nós, no que eu votava mesmo era no Conselheiro Acácio, esse era um "vulto"!)
Há dias cheios de vento
Há dias cheios de raiva
Há dias cheios de lágrimas
Mas depois...
Existem dias cheios de amor
Que nos são coragem para seguir em frente
Todos os dias das nossas vidas.
É só mais uma noite... nada que não seja o teu quotidiano! Calma,é só mais uma.
Apetece-me gritar!
É tarde. Está frio. Constatações. Depois, tudo o resto que não consigo controlar. Uma vida que insiste em viver-me. Os dias que se transformam alterando todo o meu precário equilíbrio, pequenos acontecimentos que me fazem rir, chorar, ou ficar na expectativa.
Já não almejo uma sabedoria redentora, catalizadora de um poder imaginário.
O meu riso morre perante o incompreensível. Desloco-me. Quer vá, quer venha, nada me tira da cabeça que tudo isto é um plano sublimemente orquestrado e no entanto, movo-me. Sei que estou sempre do outro lado. Há tempos ainda tentava compreender quem seria o maquinista desta máquina do mundo, agora estou-me nas tintas: a máquina move-se nos seus insondáveis desígnios e saber isso já me basta. Matei todos os “porquês”. Sei que os fundamentos não me são acessíveis, as razões me escapam, não desejo explicações. Sair para a rua e viver. Fechar-me em casa e viver. Sair, fechar-me e morrer, tudo a mesma moeda, sem troco, certinha nesta portagem.
Não escrevo para que me leiam. Decidi escrever para arrumar ideias. Depois de cada acto cai o pano, desmaquilham-se os actantes (muito me ri eu desta designação narratológica!), voltamos à vidinha corriqueira. Os panos sucedem-se sem sequer darmos por isso: um dia acordamos ou deitamos muito cansados, foi apenas mais um acto que terminamos. Respiramos, saímos, fechamo-nos.
Disseram na rádio que hoje será uma das noites mais frias do ano. Concordo, mas não sei, nem quero saber.
A linha que separa a realidade da fantasia que somos é tão ténue que, é conveniente sabermos de que lado estamos.
Meto as chaves e abro a porta, é a minha casa, um pequeno espaço com o Tejo ao fundo.
A mesa cheia de livros, as malas, os livros, as malas. O sofá. Casacos pendurados, mais livros, papéis que perco e encontro já quando não preciso, uma carta há semanas para colocar no correio... a minha casa!
Dantes fazia café, depois vi que não era nem a minha bebida, nem o meu ponto mais forte, agora faço chá que deixo acabar e esqueço sempre de comprar. Entro em casa, fria, cansada, com as mãos geladas, deixo-me envolver neste silêncio. Aqui, quieta, com o casaco deixado em cima de um qualquer sofá e ouço-me por dentro. Eterna luta... como teria sido se não fosse o que sou? Acabo por dormir, só.
Agora que atingi as visitas zero, estou em paz para olhar para mim aqui, espreguiço-me e desejo o sono como uma benesse que talvez nem mereça.
" AMA-ME, CANTA-ME. Eu nada quero
Do mundo ouvir.
Sofro e, se penso, desespero,
Eu quero dormir"
(bom ano a todos)
É um exercício de teimosia, acreditar. Levanto-me cedo mas os dias são exactamente iguais como se não tivesse saído de casa. Sou daquelas pessoas que ainda põem cartas no correio, que gostam de tocar nas coisas e deixar ali algo de seu, por isso tenho um blog, é muito coerente…
Na verdade, e já tantas vezes o disse, não procuro nada que não me tenha já encontrado. Isto sim é um hino à tenacidade: às voltas dentro de mim, distanciando-me cada vez mais neste meu mundo autista, do outro, daquele que não gosto e que também não me tem em grande conta.
As épocas festivas sempre me deixaram muito pouco à vontade e desconfiada, em plena festa parte-se a loiça toda e os doces saem amargos. Desisti de pensar, fico aqui quieta à espera, observando como muda o rio lá em baixo e as cores do céu, noite, manhã, tarde, crepúsculo, ocaso, noite, frio. Sei que tudo isto vai passar. E que mesmo depois de mim, tudo isto vai continuar. E que este “saber” não significa ter poder sobre nada…
Et tous ceux qui demeurent dans l'angoise
ou deprimés, accablés par leurs fautes,
Le Seigneur les guérit, leur donne vie,
leur envoie son pardon et sa paroleMúsica: Do-MI-Si-La-Do-Ré ( tradução: domicile adoré)
Passou o Verão, veio o meio termo, a chuva, a chuva, a chuva...de novo o sol e o frio de noite.
Estou aqui parada à espera que seja dia, mais um dia e mais uma noite...tempo perdido!
Não vale a pena esperar, o tempo vem sempre, mesmo sem aparelhos medidores. Basta olhar no espelho. Agora que sei que cada vez tenho menos leitores, posso escrever posts pessoais sem me revelar, até porque a blogosfera também tem o seu tempo próprio e nesta altura estamos em recessão; acrescento a isto o facto de não fazer visitas, logo também não sou visitada, o que deste ponto de vista é bom. Tenho um fiel "amigo", não estou a falar de atum, nem de cão... esse vem sempre. O amigo Carlos. Mas como não nos conhecemos nem andamos a trocar mails, tanto faz que leia. Até porque o tempo já me mostrou que me percebe.
Posto isto, sim... como todos os que não fingem, sinto-me só e perdida no meio de tanta coisa que a nada se resumem. O rio continua a correr lá embaixo, as luzes acendem e apagam, os dias seguem-se. Cada dia perco um pouco mais de fé na humanidade, é assim que se envelhece com elegância: finge-se que não se dá importância a nada pessoal, que temos tanto, mas tanto mais o que fazer... como é bom ser actor! Por hoje chega, não é desta ainda que serei internada.
E porque uma amiga me mandou, aqui fica ele. Obrigada Aninha.
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
A nossa vida é sempre tão previsível e cheia de novidades...o trabalho chatinho, o trabalho novo, os trabalhos que dão trabalho, depois os sossegos que desassossegam!
São 0.31 da manhã, tenho um combóio para apanhar mas não vou atrás dele. Já lá estou dentro. Há tempos, perdi um por engano, hoje parou este na minha porta. Só para mim. Estou a falar sozinha, mas é para isto que um blogue serve, acho eu. Na verdade a minha alegria é tanta que resulta nesta escrita pobre e meio desgarrada. Interessa que eu perceba e registe.
Só tenho mesmo é que rir, dançar, cantar, estar grata e assim: Feliz! estou!
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Ahhh o segredo das viagens é que... somos todos uns viajantes!
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